Eduardo e PT travam cabo-de-guerra pelo comando da Chesf
O governador Eduardo Campos (PSB) e o PT nordestino travam um embate nos bastidores para ficar com a presidência da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). Vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a entidade é tida como estratégica para o fortalecimento de ambos os lados no xadrez político regional. O ministro, contudo, é o peemedebista Edison Lobão (MA).
Enquanto Campos tenta emplacar seu secretário de Recursos Hídricos, João Bosco Almeida, funcionário de carreira da Chesf, os petistas não dão sinais de que podem abrir mão da estatal. Responsável pela nomeação, a presidente Dilma Rousseff estaria tentando compor da melhor forma para evitar arestas entre as duas siglas. Dilma só optará por Bosco se tiver o aval do PT, segundo revelaram governistas.
Atual mandatário da Chesf, o socialista Dilton da Conti ainda alimentaria esperanças de permanecer no comando da entidade, hipótese fora dos planos de Eduardo Campos. Ligado ao ex-governador Miguel Arraes, falecido em 2005, Dilton não teria aceito a liderança de Eduardo junto ao PSB, contribuindo para o afastamento entre os dois. Pesaria contra os interesses de Campos uma articulação encabeçada pelo governador baiano, Jaques Wagner (PT), que contaria, entre outros, com o apoio do senador Humberto Costa. Mesmo sendo aliados de Campos, Humberto e o deputado federal Fernando Ferro defendem um petista para o posto.
Governistas calculam que Dilma não leve muito tempo para desatar o nó em que se transformou a definição do novo comando da Chesf. O empecilho seria convencer o PT. No início do ano, o partido mostrou insatisfação com a indicação de Fernando Bezerra Coelho (PSB) para o Ministério da Integração Nacional, na cota pessoal do governador. Os petistas estavam de olho na pasta, que tem forte inserção no Nordeste.
O imbróglio da Chesf, somado ao rodízio de secretarias na gestão Eduardo, teria contribuído para uma insatisfação da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) com o socialista. Os petistas pernambucanos não teriam gostado de perder a pasta das Cidades, que acabou ficando o Danilo Cabral (PSB), da cozinha de Eduardo. Outro ponto complicado teria sido o processo de fritura imposto ao ex-secretário das Cidades, Dilson Peixoto, que acabou relocado no governo.
No lado “eduardista” ninguém confirma a insatisfação. Aliados do governador argumentam que o PT não pode brigar com Eduardo se quiser ter êxito nos seus projetos políticos de 2012 – sobretudo no Recife – e 2014. Eles ressaltam ainda que a intensificação das agendas entre Eduardo e o prefeito João da Costa (PT) foram um pedido de Humberto, com vistas a resgatar a gestão do PT na prefeitura recifense.





