Estamos às vésperas da 20ª Copa do Mundo de Futebol, talvez a mais sonhada por nós brasileiros, justamente, porque somos loucos por esse esporte e porque a copa será realizada em solo nacional.
Nunca tivemos tanta expectativa com um evento esportivo desse porte. No entanto, agora que a copa se aproxima, não temos percebido tanta euforia popular. Nem mesmo a euforia presente nas tantas copas realizadas em outros países, principalmente, no intervalo entre os mundiais do México, em 1970, e dos Estados Unidos, em 1994, quando amargamos mais de duas décadas de jejum.
Provavelmente, tal estado de letargia do nosso povo se deva à degradação das instituições públicas, diante da vultosa quantia de recursos gastos e desviados na construção e/ou reformas das arenas que receberão o evento, bem como de outras obras necessárias para a efetivação do mundial, nas cidades onde deverá ocorrer um maior fluxo de movimentação popular.
O mais grave de tudo é que a alocação de grandes quantidades de recursos públicos em prol da Copa do Mundo destoa com a saúde, a educação e segurança do povo brasileiro em estado de calamidade pública e ainda mais com os escândalos de corrupção que a toda hora veiculam nos meios de comunicação, a exemplo da roubalheira na nossa maior estatal, a Petrobrás.
Por mais que sejamos “sangue-de-barata”, mesmo amando como amamos o futebol, não temos o direito de aderir à hipocrisia dos que se enganam com o “pão e vinho” que viciam, que acomodam, ao tempo que se assemelham a párias, a incapazes que perderam a noção dos fatos e a capacidade de se indignar com tantas ingerências administrativas.
Ganhar mais uma copa do mundo será motivo de orgulho para nós brasileiros, no entanto, tal conquista não fará nenhuma diferença em nossas vidas, quando já entramos em campo derrotados pela incompetência administrativa, pela corrupção, pela falta de planejamento, pelo aumento dos já alarmantes índices de violência do país, país no qual se mata, pelo menos, trinta vezes mais do que a Alemanha, por exemplo. Só no estado da Bahia, segundo informações, foram assassinadas mais de trinta mil vítimas, nos últimos sete anos.
Precisamos, pois, agir com sensatez, posto que a nossa preocupação deve centrar-se no pós-festa, na sensação da “ressaca”; quando os convidados forem embora, ficarão apenas as contas a pagar e a casa desarrumada e suja. E imagina quem terá de acertas essas contas e por a casa em ordem! Adivinhou! Mais uma vez, somos nós que pagaremos o pato!
Prof. Generino Gabriel – Rodelas/Juazeiro-BA (Leciona no CPM Juazeiro/BA). É autor de dois livros de poemas, Segredos da Solidão e Atalhos Poéticos, e de um livro de textos reflexivos, Caminhos da Reflexão.





