
A possibilidade de Paulo Afonso voltar a receber investimentos para a geração de energia elétrica ganhou força no debate local após declarações recentes do prefeito Mário Galinho.
Em entrevista à Rádio Angiquinho, concedida nesta sexta-feira (21), o prefeito falou sobre a expectativa de novos investimentos da AXIA Energia no município e mencionou a possibilidade da implantação da chamada PA-V, com a geração de novos empregos e a ampliação da estrutura de produção de energia em Paulo Afonso.
A declaração também foi destacada pelo professor e escritor Francisco Nery Júnior, em artigo publicado após um encontro do prefeito com membros do Clube dos Diretores Lojistas de Paulo Afonso (CDL), realizado na quinta-feira (20). Segundo Nery, durante o encontro, Galinho teria informado sobre estudos conclusivos da AXIA Energia para a construção da quinta usina no município, com a instalação de três máquinas geradoras de energia elétrica.
No artigo, Francisco Nery Júnior resgata ainda uma previsão feita por ele há cerca de 15 anos sobre a possibilidade de construção da PA-V. O professor relembra que, à época, sua previsão foi contestada pelo então presidente da Chesf, mas afirma que posteriormente ouviu de uma autoridade do setor de geração hidrelétrica uma avaliação que, segundo ele, coincidia com o cenário que havia apontado.
Agora, diante das declarações do prefeito e da perspectiva de novos investimentos da AXIA Energia no Nordeste, o tema volta ao centro das discussões sobre o futuro econômico e energético de Paulo Afonso.
Além da possibilidade de novos investimentos e da geração de empregos, Nery destaca no artigo o impacto que um novo empreendimento poderia representar para o desenvolvimento do município, incluindo o aumento da arrecadação de royalties.
Confira abaixo, na íntegra, o artigo de Francisco Nery Júnior sobre a possibilidade da PA-V:
O anúncio da PA-V
As boas novas vêm através do prefeito Mário Galinho. Em um encontro com membros do Clube dos Diretores Lojistas de Paulo Afonso, CDL, ontem 20.08.26, ele anunciou estudos conclusivos para a construção da quinta usina na cidade com a instalação de três máquinas geradoras de energia elétrica. É a virtual volta das “obras” que, se realizadas, viveremos para ver.
O prefeito deixou claro que a previsão se baseia em estudos técnicos realizados pela Axia Energia, antiga Chesf, deixando de cabeça baixa os dizedores de não.
Considerando o envelhecimento das primeiras usinas, prazo de validade vencido, vantagem de um acréscimo de 20 metros de altura da Usina PA-IV em relação às três primeiras, e uma possível reconstituição das matas ciliares do Rio São Francisco, previmos, em matéria publicada em mais de um site da cidade, a construção da PA-V há cerca de quinze anos.
O então presidente da Chesf tomou a si a tarefa de desacreditar o meu vaticínio. Perdeu seu precioso tempo ao escrever para o site alegando que o autor da matéria, assinada por Francisco Nery Júnior, não sabia o que estava dizendo ou falando bobagens, ou coisa semelhante.
Nada respondi. Eu tinha acabado de tomar uma cacetada da poderosa empresa sob a tutela de Fernando Collor, ele mesmo demitido da Presidência da República pouco tempo depois. Apenas me recolhi à minha insignificância.
Não importa que pouco tempo depois desse inconveniente eu tenha ouvido de uma das maiores autoridades em geração de energia elétrica hidráulica exatamente o que eu havia previsto. Voltei à rádio onde o gestor do site mantinha um programa e, de alto e bom som, rebati o tal presidente. Desta vez, ele não respondeu. Permaneceu, agora ele, na sua insignificância.
Sem jactância e de alma lavada, passo para os leitores de Paulo Afonso o sonho que sonhamos, sonho de desenvolvimento para a nossa cidade – sou cidadão emérito de Paulo Afonso, orgulho inevitável -; sonho que temos certeza será realizado para felicidade de todos nós seja qual for o governo que teremos a partir do próximo ano. Teremos mais oportunidade de empregos, mais satisfação cidadã – e mais royalties!
A segurança com que escrevemos se baseia, entre outras, na realidade que se o Brasil estivesse crescendo a taxas maiores, precisaríamos de uma Itaipu a cada ano para suprir a energia necessária para o desenvolvimento com inteligência artificial e tudo mais.
Ora, leitor, se houvesse uma campanha séria e responsável de revitalização do São Francisco, o vaticínio seria de uma PA-VI, PA-VII, PA-VIII até se esgotarem os sonhos.
A propósito, e não obstante o sonhador angariar inimigos gratuitos (poucos), vale lembrar que a construção de diversos equipamentos (quadras, teatro, laboratórios, cozinha e refeitório) só foi possível graças à luta que lideramos no Cetepi-I (antigo Ciepa) visando à manutenção das áreas então desocupadas cobiçadas para fins menos nobres. Valeu a apena ter lutado e bradado que aquele patrimônio pertencia aos estudantes de Paulo Afonso – para seu uso e desfruto.
Então encerramos esta nossa conversa de hoje somente possível entre pessoas de boa índole e vontade, os cidadãos de Paulo Afonso.
Francisco Nery Júnior





