19 de abril de 2026

Oscar Schmidt: “Eles não sabem o que perderam” [Francisco Nery Júnior]

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Redação / pa4.com.br

A declaração é de Oscar Schmidt, ontem falecido. Escantearam Oscar em um campeonato de basquetebol qualquer e ele soltou o desabafo longe, bem longe de algum grau de prepotência. Sobre a alcunha de Mão Santa, ele não se poupou rechaçá-la: “Mão Santa coisa nenhuma. É muito treino e trabalho”. O nosso agora defunto ídolo dos amantes do basquete não se apoiou em nenhum tipo de bolsa para explodir e ganhar a fama de o melhor jogador de basquete do Brasil e um dos melhores do mundo. (Nos vem à cabeça que a Noruega, durante cerca de trinta anos, poupou os recursos advindos do petróleo, dotou o país de estruturas sólidas, se desenvolveu e, só depois, partiu para a distribuição dos frutos do desenvolvimento sustentável entre os seus cidadãos.) Membros de uma delegação Rotariana da Noruega em visita a Paulo Afonso me confessaram não entender a situação de desigualdade e pobreza do Brasil em vista de eles já terem, há muito tempo, resolvido os problemas sociais do país por assim dizer.

Maria Magalhães, minha primeira professora de inglês, nos ministrou o melhor curso de inglês dos que tenho tido conhecimento. O colégio era o Ginásio Manoel Devoto, escola pública dos tempos bons em que os professores ensinavam e muitos alunos aprendiam. Ela iniciou o nosso curso de ginásio com o Alfabeto Fonético Internacional (IPA). O nosso caderno era organizado em quatro partes: a primeira era um dicionário que íamos preenchendo à proporção que palavras novas iam aparecendo. A segunda era dedicada às notas de classe tipo uma gramática. A terceira era a parte de conversação onde anotávamos expressões corriqueiras e comuns que iam surgindo ao sabor do desenvolvimento das aulas. A transcrição era no alfabeto fonético. A quarta e última parte era dedicada para o dever de casa que ela cobrava com todo o rigor na aula seguinte.

Pois foi contra essa gigante e bem preparada mestra que os colegas ensaiaram elaborar um abaixo-assinado para removê-la do quadro de professores da escola. Ela, para eles, era “muito rigorosa”. Eles não sabiam o que quase perderam. Havia, em contrapartida, uma professora de ciências, loura e elegante, que preenchia o tempo de aula a escrever no quadro de giz o que os alunos bem poderiam encontrar no livro adotado. A figura da mestra conquistou a turma. Ela chegava na escola dirigindo um carro caro e esportivo, talvez de algum marido ricaço, talvez seu chefe a lhe dar dois “pingados” por ano, ela a única a ganhá-los na turma de professores de inglês da época. Ela era de fato simpática e atraente e suas aulas eram intercaladas com prosas, exemplos e comparações interessantes que atenuavam o tédio de copiar.

A realidade é que os brasileiros amantes do basquete acabam de perder um Oscar cioso do que praticava, responsável naquilo que sabia fazer como ninguém, sincero e direto nas suas declarações de homem de bem.

Francisco Nery Júnior

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