
Todos amamos Glória. Nós a amamos como se ama aos avós. Deles viemos e deles bebemos a sabedoria, o tato, e a prudência. Como eles, a Velha Glória jaz sob as águas redentoras do Nordeste. Embaixo d’água, mas viva e pujante na nossa memória.
Glória, a nova, é um encanto! Basta olhar com os olhos – e enxergar. Às margens do balneário, o verde de algumas árvores abrasadas pelo sol do verão e o cantar dos pássaros à nossa volta a beliscar as migalhas da nossa mesa. O verde é um verde que poderia ser foncé como diriam os franceses. O que apenas lembramos é que o largo do Balneário poderia estar mais abundante em termos de arborização. Tanta água ao redor e pouco verde! Por que não árvores a contracenar com a beleza do lago; a dar “sombra e consolo aos que padecem”?
Então Glória velha, celestial e vetusta. Nada melhor que um dia em Glória. À beira do lago, o gorjeio dos pássaros ululantes e o farfalhar das ondas, a melhor comida do mundo! Nada, quase nada, se compara à tilápia de Glória acompanhada do delicioso prato de feijão não sei o que dizer, vinagrete e arroz. Nenhuma Quinta Avenida nem nenhum Catar chega aos pés. Um dia em Glória é um encanto ainda mais palatável depois dos seus 139 anos de emancipação.
Glória, na reserva, cabreira, ciente de si e acolhedora, está à nossa disposição para nos acolher. Melhor ainda se, como em Portugal e em algumas praias brasileiras, fossem proibidos aqueles horrorosos aparelhos de “som” que desfazem todo o encanto que nos esforçamos para passar para o leitor.
Francisco Nery Júnior




