BN – Recentemente você ganhou bastante espaço na mídia com o projeto do “cacetinho baiano”. O projeto para adicionar fécula de mandioca à massa do pão causou um problema com o sindicato dos panificadores. Já teve um entendimento entre você, que é o dono do projeto, com os panificadores?
MN – Eu estou procurando debater e esgotar esse debate. A gente promoveu, por exemplo, uma sessão especial. Nós chamamos para conversar todo o setor, os comerciantes e as pessoas interessadas, e, a exemplo deles, os panificadores. Eles têm uma posição muito fixa. A gente sabe que existe um lado, nessa história, que é a questão do trigo. O trigo é um setor muito forte economicamente, porém, a gente sabe também que 80% do que se produz, do que nós consumimos, todo ele é importado. Mas nós temos aqui 665 mil agricultores familiares na Bahia. A Bahia tem o maior número de agricultores familiares. Muitos deles vivendo da mandiocultura. Infelizmente, a mandiocultura é ainda uma cultura de subsistência, ou seja, a pessoa vive disso para colocar o feijão e o arroz na mesa. Só. Como o governador Jaques Wagner colocou a mandiocultura entre as sete cadeias produtivas prioritárias e fizeram até uma enquete ano passado pedindo apoio aos deputados e candidatos para promover, seja projetos ou indicações, nesse sentido de incrementar o setor, foi daí que surgiu minha intenção de fazer esse projeto. Agora, se está pacificado com os panificadores? Não. Porque a gente está discutindo. Vamos promover uma audiência pública na Comissão de Agricultura, que eu faço parte também. Mas, terça-feira [22 de novembro] foi aprovado por unanimidade na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa] o parecer do relator que foi favorável ao projeto.
BN – Quem é o relator?
MN – O relator é Carlos Geílson [PTN].
BN – O projeto prevê não só no fornecimento público, como também da produção do pãozinho no setor privado. As panificadoras e as padarias seriam obrigadas a acrescentar essa fécula de mandioca?
MN – Aí é que está. A minha intenção não é essa. A minha intenção é dar o direito ao consumidor de ter opção. Pão com 10% fécula e 90% do trigo e o pão com 100% trigo. A obrigatoriedade quem vai impor é o mercado. Entendeu? Eu não quero trazer nada de problema com o livre comércio. Até porque a questão social sobrepõe ao livre comércio.
BN – Nessa alteração, o preço do consumidor no final, vai ficar mais barato ou mais caro?
MN – Veja bem: Vamos fazer um rápido relato sobre o que está acontecendo na Bahia. Existe a Bahiamido, no município de Laje, investimento da Fundação Odebrecht, de R$ 55 milhões com o governo do Estado para a indústria de fécula. Tem a Copasub também, que foi um investimento inaugurado há pouco, um mês, dois meses, em Vitória da Conquista, do governo do Estado e da Fundação Banco do Brasil, com o investimento de R$ 11 milhões também na indústria de fécula. Até 2012, a perspectiva é a produção de 30 mil toneladas de fécula no ano. E a perspectiva até 2015 é de 50 mil toneladas. Juntos, os dois [Bahiamido e Copasub] vão ter capacidade de produção, até 2012, de 30 mil toneladas e até 2015, 50 mil toneladas. Isso porque não tem projeto nem nada ainda que se diga: ‘Ah, vamos utilizar fécula’. Porque, obviamente, quando aumentar a demanda eles vão se mobilizar para atender a oferta. A mandioca está nos 417 municípios da Bahia. O trigo é de fora, a mandioca é nossa, baiana, brasileira. Por isso que tem essa discussão lá em Brasília também.
BN – Na Câmara Federal?
MN – Na Câmara Federal, ou seja, está em voga isso aqui não só na Bahia, como também no Brasil. Como também é uma das coisas que as panificadoras dizem: “Ah, mas não está em evidência, não se discute”. Não é por aí. Está sendo discutido lá, por diversas outras comissões, não só essa especial. Se eu não me engano a deputada foi Elcione Barbalho (PMDB-PA). Agora, um detalhe grave que não foi falado na imprensa: No dia da sessão especial que nós fizemos, eu apresentei um documento do laboratório da Universidade Federal [da Bahia] que demonstra hoje o uso da fécula por alguma empresa que eu não tenho o nome aqui de cabeça. Fazendo contraponto aqui a [Mário] Pithon, o presidente [do Sindicato dos Panificadores da Bahia], ele disse no Bahia Notícias que os comerciantes não foram ouvidos. Foram ouvidos sim, na sessão especial. E dizendo que a gente tava querendo colocar uma coisa nova no pãozinho. Outra inverdade, porque, inclusive, eu até tenho gravado isso para quem quiser ver lá na TV Assembleia. Um comerciante subiu à tribuna e assumiu que hoje já usam fécula de mandioca. Então, quer dizer, a grande questão é a seguinte: se usam, por que não divulgam? E, se divulgam, por que não diminui o preço?
BN – Qual o interesse que você acredita que teria esse setor em importar esse material? De onde vem o trigo?
MN – Vem do Canadá, Estados Unidos e Argentina. Olha, essa é a minha pergunta. Na verdade, meu projeto é para fazer essa pergunta. Se a gente tem um material aqui, uma matéria prima, a mandioca. E sendo muito mais barato. Além do que com a fécula da mandioca, o [pãozinho do] projeto fica mais nutritivo, porque não tem glúten e é um diluidor do glúten.
BN – E o sabor, tem alguma diferença?
MN – Não muda nada, zero.
BN – Por que resistir à implantação, se não altera a qualidade do produto e ainda interfere no preço para baixo?
MN – São esses questionamentos que eu faço. O meu objetivo é esse e, obviamente, benefici���������� ��
BN – Recentemente você ganhou bastante espaço na mídia com o projeto do “cacetinho baiano”. O projeto para adicionar fécula de mandioca à massa do pão causou um problema com o sindicato dos panificadores. Já teve um entendimento entre você, que é o dono do projeto, com os panificadores?
MN – Eu estou procurando debater e esgotar esse debate. A gente promoveu, por exemplo, uma sessão especial. Nós chamamos para conversar todo o setor, os comerciantes e as pessoas interessadas, e, a exemplo deles, os panificadores. Eles têm uma posição muito fixa. A gente sabe que existe um lado, nessa história, que é a questão do trigo. O trigo é um setor muito forte economicamente, porém, a gente sabe também que 80% do que se produz, do que nós consumimos, todo ele é importado. Mas nós temos aqui 665 mil agricultores familiares na Bahia. A Bahia tem o maior número de agricultores familiares. Muitos deles vivendo da mandiocultura. Infelizmente, a mandiocultura é ainda uma cultura de subsistência, ou seja, a pessoa vive disso para colocar o feijão e o arroz na mesa. Só. Como o governador Jaques Wagner colocou a mandiocultura entre as sete cadeias produtivas prioritárias e fizeram até uma enquete ano passado pedindo apoio aos deputados e candidatos para promover, seja projetos ou indicações, nesse sentido de incrementar o setor, foi daí que surgiu minha intenção de fazer esse projeto. Agora, se está pacificado com os panificadores? Não. Porque a gente está discutindo. Vamos promover uma audiência pública na Comissão de Agricultura, que eu faço parte também. Mas, terça-feira [22 de novembro] foi aprovado por unanimidade na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa] o parecer do relator que foi favorável ao projeto.
BN – Quem é o relator?
MN – O relator é Carlos Geílson [PTN].
BN – O projeto prevê não só no fornecimento público, como também da produção do pãozinho no setor privado. As panificadoras e as padarias seriam obrigadas a acrescentar essa fécula de mandioca?
MN – Aí é que está. A minha intenção não é essa. A minha intenção é dar o direito ao consumidor de ter opção. Pão com 10% fécula e 90% do trigo e o pão com 100% trigo. A obrigatoriedade quem vai impor é o mercado. Entendeu? Eu não quero trazer nada de problema com o livre comércio. Até porque a questão social sobrepõe ao livre comércio.
BN – Nessa alteração, o preço do consumidor no final, vai ficar mais barato ou mais caro?
MN – Veja bem: Vamos fazer um rápido relato sobre o que está acontecendo na Bahia. Existe a Bahiamido, no município de Laje, investimento da Fundação Odebrecht, de R$ 55 milhões com o governo do Estado para a indústria de fécula. Tem a Copasub também, que foi um investimento inaugurado há pouco, um mês, dois meses, em Vitória da Conquista, do governo do Estado e da Fundação Banco do Brasil, com o investimento de R$ 11 milhões também na indústria de fécula. Até 2012, a perspectiva é a produção de 30 mil toneladas de fécula no ano. E a perspectiva até 2015 é de 50 mil toneladas. Juntos, os dois [Bahiamido e Copasub] vão ter capacidade de produção, até 2012, de 30 mil toneladas e até 2015, 50 mil toneladas. Isso porque não tem projeto nem nada ainda que se diga: ‘Ah, vamos utilizar fécula’. Porque, obviamente, quando aumentar a demanda eles vão se mobilizar para atender a oferta. A mandioca está nos 417 municípios da Bahia. O trigo é de fora, a mandioca é nossa, baiana, brasileira. Por isso que tem essa discussão lá em Brasília também.
BN – Na Câmara Federal?
MN – Na Câmara Federal, ou seja, está em voga isso aqui não só na Bahia, como também no Brasil. Como também é uma das coisas que as panificadoras dizem: “Ah, mas não está em evidência, não se discute”. Não é por aí. Está sendo discutido lá, por diversas outras comissões, não só essa especial. Se eu não me engano a deputada foi Elcione Barbalho (PMDB-PA). Agora, um detalhe grave que não foi falado na imprensa: No dia da sessão especial que nós fizemos, eu apresentei um documento do laboratório da Universidade Federal [da Bahia] que demonstra hoje o uso da fécula por alguma empresa que eu não tenho o nome aqui de cabeça. Fazendo contraponto aqui a [Mário] Pithon, o presidente [do Sindicato dos Panificadores da Bahia], ele disse no Bahia Notícias que os comerciantes não foram ouvidos. Foram ouvidos sim, na sessão especial. E dizendo que a gente tava querendo colocar uma coisa nova no pãozinho. Outra inverdade, porque, inclusive, eu até tenho gravado isso para quem quiser ver lá na TV Assembleia. Um comerciante subiu à tribuna e assumiu que hoje já usam fécula de mandioca. Então, quer dizer, a grande questão é a seguinte: se usam, por que não divulgam? E, se divulgam, por que não diminui o preço?
BN – Qual o interesse que você acredita que teria esse setor em importar esse material? De onde vem o trigo?
MN – Vem do Canadá, Estados Unidos e Argentina. Olha, essa é a minha pergunta. Na verdade, meu projeto é para fazer essa pergunta. Se a gente tem um material aqui, uma matéria prima, a mandioca. E sendo muito mais barato. Além do que com a fécula da mandioca, o [pãozinho do] projeto fica mais nutritivo, porque não tem glúten e é um diluidor do glúten.
BN – E o sabor, tem alguma diferença?
MN – Não muda nada, zero.
BN – Por que resistir à implantação, se não altera a qualidade do produto e ainda interfere no preço para baixo?
MN – São esses questionamentos que eu faço. O meu objetivo é esse e, obviamente, benefici���������� ��
BN – Recentemente você ganhou bastante espaço na mídia com o projeto do “cacetinho baiano”. O projeto para adicionar fécula de mandioca à massa do pão causou um problema com o sindicato dos panificadores. Já teve um entendimento entre você, que é o dono do projeto, com os panificadores?
MN – Eu estou procurando debater e esgotar esse debate. A gente promoveu, por exemplo, uma sessão especial. Nós chamamos para conversar todo o setor, os comerciantes e as pessoas interessadas, e, a exemplo deles, os panificadores. Eles têm uma posição muito fixa. A gente sabe que existe um lado, nessa história, que é a questão do trigo. O trigo é um setor muito forte economicamente, porém, a gente sabe também que 80% do que se produz, do que nós consumimos, todo ele é importado. Mas nós temos aqui 665 mil agricultores familiares na Bahia. A Bahia tem o maior número de agricultores familiares. Muitos deles vivendo da mandiocultura. Infelizmente, a mandiocultura é ainda uma cultura de subsistência, ou seja, a pessoa vive disso para colocar o feijão e o arroz na mesa. Só. Como o governador Jaques Wagner colocou a mandiocultura entre as sete cadeias produtivas prioritárias e fizeram até uma enquete ano passado pedindo apoio aos deputados e candidatos para promover, seja projetos ou indicações, nesse sentido de incrementar o setor, foi daí que surgiu minha intenção de fazer esse projeto. Agora, se está pacificado com os panificadores? Não. Porque a gente está discutindo. Vamos promover uma audiência pública na Comissão de Agricultura, que eu faço parte também. Mas, terça-feira [22 de novembro] foi aprovado por unanimidade na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa] o parecer do relator que foi favorável ao projeto.
BN – Quem é o relator?
MN – O relator é Carlos Geílson [PTN].
BN – O projeto prevê não só no fornecimento público, como também da produção do pãozinho no setor privado. As panificadoras e as padarias seriam obrigadas a acrescentar essa fécula de mandioca?
MN – Aí é que está. A minha intenção não é essa. A minha intenção é dar o direito ao consumidor de ter opção. Pão com 10% fécula e 90% do trigo e o pão com 100% trigo. A obrigatoriedade quem vai impor é o mercado. Entendeu? Eu não quero trazer nada de problema com o livre comércio. Até porque a questão social sobrepõe ao livre comércio.
BN – Nessa alteração, o preço do consumidor no final, vai ficar mais barato ou mais caro?
MN – Veja bem: Vamos fazer um rápido relato sobre o que está acontecendo na Bahia. Existe a Bahiamido, no município de Laje, investimento da Fundação Odebrecht, de R$ 55 milhões com o governo do Estado para a indústria de fécula. Tem a Copasub também, que foi um investimento inaugurado há pouco, um mês, dois meses, em Vitória da Conquista, do governo do Estado e da Fundação Banco do Brasil, com o investimento de R$ 11 milhões também na indústria de fécula. Até 2012, a perspectiva é a produção de 30 mil toneladas de fécula no ano. E a perspectiva até 2015 é de 50 mil toneladas. Juntos, os dois [Bahiamido e Copasub] vão ter capacidade de produção, até 2012, de 30 mil toneladas e até 2015, 50 mil toneladas. Isso porque não tem projeto nem nada ainda que se diga: ‘Ah, vamos utilizar fécula’. Porque, obviamente, quando aumentar a demanda eles vão se mobilizar para atender a oferta. A mandioca está nos 417 municípios da Bahia. O trigo é de fora, a mandioca é nossa, baiana, brasileira. Por isso que tem essa discussão lá em Brasília também.
BN – Na Câmara Federal?
MN – Na Câmara Federal, ou seja, está em voga isso aqui não só na Bahia, como também no Brasil. Como também é uma das coisas que as panificadoras dizem: “Ah, mas não está em evidência, não se discute”. Não é por aí. Está sendo discutido lá, por diversas outras comissões, não só essa especial. Se eu não me engano a deputada foi Elcione Barbalho (PMDB-PA). Agora, um detalhe grave que não foi falado na imprensa: No dia da sessão especial que nós fizemos, eu apresentei um documento do laboratório da Universidade Federal [da Bahia] que demonstra hoje o uso da fécula por alguma empresa que eu não tenho o nome aqui de cabeça. Fazendo contraponto aqui a [Mário] Pithon, o presidente [do Sindicato dos Panificadores da Bahia], ele disse no Bahia Notícias que os comerciantes não foram ouvidos. Foram ouvidos sim, na sessão especial. E dizendo que a gente tava querendo colocar uma coisa nova no pãozinho. Outra inverdade, porque, inclusive, eu até tenho gravado isso para quem quiser ver lá na TV Assembleia. Um comerciante subiu à tribuna e assumiu que hoje já usam fécula de mandioca. Então, quer dizer, a grande questão é a seguinte: se usam, por que não divulgam? E, se divulgam, por que não diminui o preço?
BN – Qual o interesse que você acredita que teria esse setor em importar esse material? De onde vem o trigo?
MN – Vem do Canadá, Estados Unidos e Argentina. Olha, essa é a minha pergunta. Na verdade, meu projeto é para fazer essa pergunta. Se a gente tem um material aqui, uma matéria prima, a mandioca. E sendo muito mais barato. Além do que com a fécula da mandioca, o [pãozinho do] projeto fica mais nutritivo, porque não tem glúten e é um diluidor do glúten.
BN – E o sabor, tem alguma diferença?
MN – Não muda nada, zero.
BN – Por que resistir à implantação, se não altera a qualidade do produto e ainda interfere no preço para baixo?
MN – São esses questionamentos que eu faço. O meu objetivo é esse e, obviamente, benefici���������� ��
BN – Recentemente você ganhou bastante espaço na mídia com o projeto do “cacetinho baiano”. O projeto para adicionar fécula de mandioca à massa do pão causou um problema com o sindicato dos panificadores. Já teve um entendimento entre você, que é o dono do projeto, com os panificadores?
MN – Eu estou procurando debater e esgotar esse debate. A gente promoveu, por exemplo, uma sessão especial. Nós chamamos para conversar todo o setor, os comerciantes e as pessoas interessadas, e, a exemplo deles, os panificadores. Eles têm uma posição muito fixa. A gente sabe que existe um lado, nessa história, que é a questão do trigo. O trigo é um setor muito forte economicamente, porém, a gente sabe também que 80% do que se produz, do que nós consumimos, todo ele é importado. Mas nós temos aqui 665 mil agricultores familiares na Bahia. A Bahia tem o maior número de agricultores familiares. Muitos deles vivendo da mandiocultura. Infelizmente, a mandiocultura é ainda uma cultura de subsistência, ou seja, a pessoa vive disso para colocar o feijão e o arroz na mesa. Só. Como o governador Jaques Wagner colocou a mandiocultura entre as sete cadeias produtivas prioritárias e fizeram até uma enquete ano passado pedindo apoio aos deputados e candidatos para promover, seja projetos ou indicações, nesse sentido de incrementar o setor, foi daí que surgiu minha intenção de fazer esse projeto. Agora, se está pacificado com os panificadores? Não. Porque a gente está discutindo. Vamos promover uma audiência pública na Comissão de Agricultura, que eu faço parte também. Mas, terça-feira [22 de novembro] foi aprovado por unanimidade na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa] o parecer do relator que foi favorável ao projeto.
BN – Quem é o relator?
MN – O relator é Carlos Geílson [PTN].
BN – O projeto prevê não só no fornecimento público, como também da produção do pãozinho no setor privado. As panificadoras e as padarias seriam obrigadas a acrescentar essa fécula de mandioca?
MN – Aí é que está. A minha intenção não é essa. A minha intenção é dar o direito ao consumidor de ter opção. Pão com 10% fécula e 90% do trigo e o pão com 100% trigo. A obrigatoriedade quem vai impor é o mercado. Entendeu? Eu não quero trazer nada de problema com o livre comércio. Até porque a questão social sobrepõe ao livre comércio.
BN – Nessa alteração, o preço do consumidor no final, vai ficar mais barato ou mais caro?
MN – Veja bem: Vamos fazer um rápido relato sobre o que está acontecendo na Bahia. Existe a Bahiamido, no município de Laje, investimento da Fundação Odebrecht, de R$ 55 milhões com o governo do Estado para a indústria de fécula. Tem a Copasub também, que foi um investimento inaugurado há pouco, um mês, dois meses, em Vitória da Conquista, do governo do Estado e da Fundação Banco do Brasil, com o investimento de R$ 11 milhões também na indústria de fécula. Até 2012, a perspectiva é a produção de 30 mil toneladas de fécula no ano. E a perspectiva até 2015 é de 50 mil toneladas. Juntos, os dois [Bahiamido e Copasub] vão ter capacidade de produção, até 2012, de 30 mil toneladas e até 2015, 50 mil toneladas. Isso porque não tem projeto nem nada ainda que se diga: ‘Ah, vamos utilizar fécula’. Porque, obviamente, quando aumentar a demanda eles vão se mobilizar para atender a oferta. A mandioca está nos 417 municípios da Bahia. O trigo é de fora, a mandioca é nossa, baiana, brasileira. Por isso que tem essa discussão lá em Brasília também.
BN – Na Câmara Federal?
MN – Na Câmara Federal, ou seja, está em voga isso aqui não só na Bahia, como também no Brasil. Como também é uma das coisas que as panificadoras dizem: “Ah, mas não está em evidência, não se discute”. Não é por aí. Está sendo discutido lá, por diversas outras comissões, não só essa especial. Se eu não me engano a deputada foi Elcione Barbalho (PMDB-PA). Agora, um detalhe grave que não foi falado na imprensa: No dia da sessão especial que nós fizemos, eu apresentei um documento do laboratório da Universidade Federal [da Bahia] que demonstra hoje o uso da fécula por alguma empresa que eu não tenho o nome aqui de cabeça. Fazendo contraponto aqui a [Mário] Pithon, o presidente [do Sindicato dos Panificadores da Bahia], ele disse no Bahia Notícias que os comerciantes não foram ouvidos. Foram ouvidos sim, na sessão especial. E dizendo que a gente tava querendo colocar uma coisa nova no pãozinho. Outra inverdade, porque, inclusive, eu até tenho gravado isso para quem quiser ver lá na TV Assembleia. Um comerciante subiu à tribuna e assumiu que hoje já usam fécula de mandioca. Então, quer dizer, a grande questão é a seguinte: se usam, por que não divulgam? E, se divulgam, por que não diminui o preço?
BN – Qual o interesse que você acredita que teria esse setor em importar esse material? De onde vem o trigo?
MN – Vem do Canadá, Estados Unidos e Argentina. Olha, essa é a minha pergunta. Na verdade, meu projeto é para fazer essa pergunta. Se a gente tem um material aqui, uma matéria prima, a mandioca. E sendo muito mais barato. Além do que com a fécula da mandioca, o [pãozinho do] projeto fica mais nutritivo, porque não tem glúten e é um diluidor do glúten.
BN – E o sabor, tem alguma diferença?
MN – Não muda nada, zero.
BN – Por que resistir à implantação, se não altera a qualidade do produto e ainda interfere no preço para baixo?
MN – São esses questionamentos que eu faço. O meu objetivo é esse e, obviamente, benefici���������� ��
BN – Recentemente você ganhou bastante espaço na mídia com o projeto do “cacetinho baiano”. O projeto para adicionar fécula de mandioca à massa do pão causou um problema com o sindicato dos panificadores. Já teve um entendimento entre você, que é o dono do projeto, com os panificadores?
MN – Eu estou procurando debater e esgotar esse debate. A gente promoveu, por exemplo, uma sessão especial. Nós chamamos para conversar todo o setor, os comerciantes e as pessoas interessadas, e, a exemplo deles, os panificadores. Eles têm uma posição muito fixa. A gente sabe que existe um lado, nessa história, que é a questão do trigo. O trigo é um setor muito forte economicamente, porém, a gente sabe também que 80% do que se produz, do que nós consumimos, todo ele é importado. Mas nós temos aqui 665 mil agricultores familiares na Bahia. A Bahia tem o maior número de agricultores familiares. Muitos deles vivendo da mandiocultura. Infelizmente, a mandiocultura é ainda uma cultura de subsistência, ou seja, a pessoa vive disso para colocar o feijão e o arroz na mesa. Só. Como o governador Jaques Wagner colocou a mandiocultura entre as sete cadeias produtivas prioritárias e fizeram até uma enquete ano passado pedindo apoio aos deputados e candidatos para promover, seja projetos ou indicações, nesse sentido de incrementar o setor, foi daí que surgiu minha intenção de fazer esse projeto. Agora, se está pacificado com os panificadores? Não. Porque a gente está discutindo. Vamos promover uma audiência pública na Comissão de Agricultura, que eu faço parte também. Mas, terça-feira [22 de novembro] foi aprovado por unanimidade na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa] o parecer do relator que foi favorável ao projeto.
BN – Quem é o relator?
MN – O relator é Carlos Geílson [PTN].
BN – O projeto prevê não só no fornecimento público, como também da produção do pãozinho no setor privado. As panificadoras e as padarias seriam obrigadas a acrescentar essa fécula de mandioca?
MN – Aí é que está. A minha intenção não é essa. A minha intenção é dar o direito ao consumidor de ter opção. Pão com 10% fécula e 90% do trigo e o pão com 100% trigo. A obrigatoriedade quem vai impor é o mercado. Entendeu? Eu não quero trazer nada de problema com o livre comércio. Até porque a questão social sobrepõe ao livre comércio.
BN – Nessa alteraçã





