
Dr. Luís de Deus é das antigas. Conversa com ele é no olhar. Não é no celular. A primeira etapa era para ser um encontro de nivelamento. Posteriormente, eu deveria enviar as perguntas por escrito. Devidamente nivelado, eu entenderia melhor as respostas, quiçá interpretaria. Mas o homem conversa – ele tem estrada – e ambos nos cansamos. Não sem primeiro batermos, por alguns instantes, um papo em francês. Ele estudou na França por mais tempo e eu por 43 dias intensivos. Eu em Paris e Toulouse, no ICT da Universidade Católica, e ele em Paris. Não seria desculpável a omissão que levamos bem o nome de Paulo Afonso para a Europa. Nos saímos bem, só isso.
Como resultado do cansaço (os assessores iam se acumulando no gabinete), veio a autorização para que eu publicasse um resumo da conversa, confiança que muito me honrou.
A primeira pergunta foi sobre a sua condição física para enfrentar uma campanha [ardilosa] para a reeleição. A resposta esperada era afirmativa porque eu tinha visto uma fotografia que o mostrava montado em um cavalo na nova sede da vaquejada de Paulo Afonso. Seguimos para a sua visão sobre o futuro da cidade, a ameaça do rio cambaleante e a diversificação das fontes transformadoras de energia. Luís de Deus se lembrou da avaliação do doutor André Falcão segundo a qual Paulo Afonso se estabilizaria como qualquer cidade típica do interior da Bahia. Evidente que passamos desse limite. E concordamos que a Chesf, que não anda muito bem das pernas, pode, todavia, nos dedicar uma atenção digna da epopeia das obras iniciais e do empenho dos pioneiros.
Enfatizando as prioridades essenciais de saúde e educação, ressaltando o esforço de urbanização dos bairros, afirmou que a Câmara, caixa de ressonância dos anseios municipais e fiscalizadora da execução do Orçamento, poderia ajudar mais. A pergunta foi se a Câmara ajudava ou atrapalhava.
Se julgava alguma candidatura já definida como uma ameaça para Paulo Afonso e se haveria reforma do secretariado antes das eleições do fim do ano, respondeu que preferia não responder a primeira opção por razão de ética e que só poderia haver mudança de secretário em caso comprovado de ineficiência.
O prefeito Luís de Deus conclama todos para o esforço de arborização da cidade (zona rural e proximidades do São Francisco incluídas), apoia e autoriza – repetindo, o senhor prefeito autoriza – o plantio de árvores por qualquer cidadão em qualquer local onde não houver inconveniência.
Quanto à volta dos voos para Salvador, ele acena com a possibilidade de reservas limitadas subvencionadas pelo poder municipal e, na seara cultural, seu sonho é a construção do teatro municipal. O questionamento tinha sido sobre a construção de uma concha acústica. Outrossim notamos que a ideia de um trenzinho Piranhas- Paulo Afonso o intrigou.
Prosseguimos instando o doutor Luís sobre como ele lidava com o cumprimento das suas ordens ou diretrizes (lembramos que o presidente Gerald Ford se queixava que quando a ordem chegava na ponta, já estava totalmente desvirtuada), como lidava com a ingratidão (dos dez leprosos curados por Cristo, só um voltou para agradecer), e como mantinha a paciência no dia a dia ao lidar com as pessoas (o papa Francisco perdeu a paciência com uma fiel na Praça de São Pedro). Aí o prefeito se descontraiu e pacientemente respondeu que a sua resposta para a ingratidão sempre é mais consideração para o ingrato e mais paciência com os “dizedores de não”, os nay-sayers. Se forem banhados de ouro em pó, certamente vão reclamar da sujeira. “Quando algum assessor diz não”, enfatizou, “então eu estudo, pesquiso e me lanço com mais ardor na busca do alvo estabelecido”.
Dr. Luís, chefe político experimentado, afirmou enfaticamente que repetiria a declaração: “Eu desafio qualquer um a denunciar corrupção no meu grupo”. “A consequência para qualquer ato de corrupção que chegar ao meu conhecimento”, deixou bem claro, “é a demissão”. Antes havia declarado, sobre se ele tinha confiança total nas novas adesões ao grupo, que confiança total não existe em política.
Como gostaria de ser lembrado? Parou, matutou, e não pronunciou resposta. O gestor que “montou” Paulo Afonso? Também não respondeu. Com um sorriso talvez ingênuo, nos deixou a nós a resposta. O que pretende fazer após a aposentadoria? Limitou-se, olhar perdido para cima, a lembrar os campos, os pássaros e os cavalos da sua infância.
Francisco Nery Júnior
P.S. Com esta matéria, iniciamos, conforme entendimento e concessão do site, uma coluna fixa de crônicas, análises, traduções e conversas construtivas com nossos leitores.






Diga ao prefeito que veja o orçamento do carnaval pra ver se teve corrupção.
Parabéns Prof. Nery, maravilhosa entrevista, ameeeei!
Beto meu amigo .
A hora e ano dos oitenta é agora
Agora é de os 83, quando ele sair será quase 90, kkkkkkkkk
Desculpem-nos a escolha da foto. Embora o plano fosse reto, estávamos, os dois, num mesmo plano. A autoria da foto é do serviço de comunicação (outro pedido de desculpas). A interpretação é sutil, mas a impressão é que o prefeito olha de cima para baixo (look down on) , vomitando saber e onisciência. Definitivamente não é o caso. O doutor Luiz foi de uma atenção e consideração sem limites. O objetivo final de tudo isso é o bem-estar do povo de Paulo Afonso.
Dr Luiz é um homem digno de respeito e admiração!
Essa é prefeito e … não presta mais pra nada Paulo Afonso está ficado uma cidade deserta o povo está indo embora porque esse gesto só pensa na sua família o povo não te emprego né saude
Prefeito da uma olhada nas contratações das bandas, o senhor vai ver muita coisa estranha. Só um exemplo, da uma olhada com carinho nos contratos do carnaval e do de final do ano
Fora luiz
Por que muitos ” comentários” são postados sem os “comentaristas” postarem seus nomes e muitas vezes com memes ou palavrões?O site não deveria, para ter mais credibilidade com aqueles que acompanha diuturnamente acompanham as notícias e comentários feitos por pessoa competentes, sérias, respeitadas na comunidade como é o o caso do professor Francisco Nery Junior? Albert, joão, Neide, e até “Munda Brasil” não identifica ninguém! Na minha opinião, ( cada pessoa tem sua opinião) como leitor do site, não deveria ser aceito. Uma pessoa ofende qualquer autoridade publicamente, seja ela quem for e o site posta a ofensa, etc,,,,,
Parabens Prof.Nery pela a bem elaborada e descontraida entrevista e pelo o entrevistando.
Homens Sabios.
Se o Paulafonsino for ver o portal da transparência e ver os salários pagos aos genro e nora e o sobrinho que ficam entre 45 mil a 75 mil vai tirar as suas próprias conclusões se isso é ser honestidade ou …