9 de maio de 2026

Neumy José: Prainha, um bairro esquecido

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Por Neumy José


Não bastasse a eterna guerra travada pelos moradores deste bairro, expostos à falta de estrutura e descaso dos poderosos, que lá só aparecem em tempos de eleição, agora os funcionários do Posto de Saúde do bairro Prainha estão em pé de guerra e não sabem por que e nem quem são os inimigos em mais essa batalha. Mais esta, eu afirmo, pois é sempre uma atrás da outra, desde os tempos de Dr. Carlos Pantoja – médico que trabalhou certo tempo por esse povo e deixou saudades – desde antes do governo de RC, até os dias de hoje, que esse Posto e seus funcionários, vêm sendo esfacelados, perseguidos, jogados uns contra os outros, até chegarem aos seus limites ou, até mesmo ultrapassarem seus limites, como fez Cristiane, Silvana, Adezilma, Lala, Geane, e mais uma lista de funcionários que se foram. É intrigante para quem, como eu, está assistindo tudo, literalmente de camarote – para quem não sabe, moro em frente ao Posto médico – sempre tem algum ou até vários deles desabafando comigo, com minha esposa, com a vizinha, na calçada, na sala de espera, na budeguinha, ou até mesmo entre eles, dentro do Posto, dá pra ouvir ou ver muita coisa. E com o tempo e a convivência, os laços de amizade se aprofundam também. Afinal, assim como nós, pacientes, eles também são seres humanos.


O que eu vejo – e vejo bem melhor, pois não estou diretamente envolvido – é que o bairro, apesar de ser composto por uma gama bem variada de público, é um lugar que cativa. Ou pela imensa carência de tudo que parte dessa população necessita, ou por algum “it” inexplicável do local. Talvez, ainda, pela sua fidelidade com quem os trata bem, pois ainda hoje, Dr. Carlos Pantoja é lembrado, mesmo depois de anos que saiu daqui. Drª Diva chegou, saiu, voltou após abaixo-assinado e exigência da população. E se depender desse povo, essa atual equipe, fica mesmo. Eles foram cativados pelo povo e a recíproca é verdadeira. E me parece que isso não agrada a alguém. Mas quem? Parece que quando as coisas dão certo, alguém sempre chega pra botar terra onde não devia. Agora, por exemplo, temos no Posto uma Equipe boa: além da médica (já citada), temos a Enfermeira Élcia e a técnica Mônica, que são super dedicadas, fazem tudo o que podem pela população. Contamos ainda com Dr. Wamberto, dentista, que também está há anos e se identificou com a população, além dos agentes de saúde, que são todos daqui, nossos amigos e do restante da Equipe, que não é porque eu não lembro agora o nome e a função de cada um, que estes deixam de ser profissionais competentes. Mas quero lembrar também que, apesar de serem ótimos profissionais, eles também são seres humanos e têm seus limites e defeitos, como qualquer indivíduo.


Mas eles estão sendo tão consumidos – o trabalho é árduo, mas as cobranças infundadas são piores – que não se dão conta que estão sendo usados como cartas de baralho, onde tudo se transforma em um jogo, mas que, quem joga não ganha nada. Não existem vencedores. Se não abrirem os olhos e enxergarem o que estão fazendo, todos saem perdendo. Pequenas desavenças e picuinhas tornam-se tempestade em um ambiente onde todos estão sobrecarregados. Isso não deve acontecer apenas aqui, mas só posso falar daqui porque só vejo o que acontece aqui, pois está diante do meu nariz.


Vamos dar um exemplo para ilustrar: essa semana chegou às mãos da equipe uma reclamação, da Ouvidoria, onde dois ACS são acusados, com a conivência da Enfermeira, de estarem escolhendo para quem dar ou não as tais “cotas”, que chegam mensalmente em cada PSF. Essa pessoa que fez a denúncia se identificou como Edileusa. Todos aqui conhecemos uma Edileusa, que é uma pessoa do bairro, que está sempre no Posto de Saúde porque se dá muito bem com os profissionais e os tem como amigos. Ela ficou indignada com a acusação e os ACS ficaram chateados com ela. Francamente…


Quem acha que realmente foi essa cidadã que ligou para a Ouvidoria? Só quem for bobo…


Outra coisa: por que diabos essas cotas estão vindo agora para os postos? As equipes, além de fazerem seus trabalhos, ainda estão fazendo um trabalho que não deveria ser deles. Isso devia ser realizado na Secretaria de Saúde, na regulação, como sempre foi. Esse lance de cota é pra “tirar o deles da reta” e colocar a pimenta nos olhos do médico, da enfermeira, como já está acontecendo. Não se enganem! Cada mês vêm menos cotas e, mais cedo ou mais tarde, como é de praxe no Brasil, a corda vai arrebentar do lado mais fraco. Ou seja, vai cair nas costas das Equipes de Saúde que, cá entre nós, não precisam de mais tormentos. Alguém providenciou o toldo para o Posto? À tarde os pacientes torram esperando pelo atendimento. Alguém foi lá levar o que está faltando no Posto? Eles sabem o que falta? Ou melhor, o que é aquele Posto? Com todas as paredes mofadas, escuro, o banheiro sem luz, sem água… sinceramente…


Mais um questionamento: Alguma vez, depois de eleito, o atual Prefeito esteve na Prainha? Se mostrou interessado nas necessidades da população? Como está a distribuição de bolsa família? E das cestas básicas? Será que estão indo para quem realmente precisa? Ele já foi alguma vez naquela Unidade de Saúde? Nem que fosse pra dizer que passou por lá…


Mais uma vez quero agradecer a você, Ozildo, pelo espaço concedido.

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