Por Gledson Barros
gledbarros@bol.com.br
Seu nome verdadeiro é Renato Manfredini Júnior, o “júnior” da dona Carmem Teresa, sua mãe, ou o Renato Russo de milhares de fãs e amigos. Recebeu esse complemento artístico em seu nome devido a sua admiração por um dos filósofos que ele tinha grande apreço: Bertrand Russel.
Foi e é ainda aclamado por uma “legião” de admiradores que, independente de sua idade, se identificam com as letras cantadas pela Legião Urbana, banda liderada por Renato, que vendeu cerca de 20 milhões de discos (anualmente com uma vendagem de 250 mil cópias, o que a torna uma das bandas mais rentáveis da sua gravadora, a EMI Music) e ainda hoje é cultuada de maneira quase religiosa, comparação esta que o aborrecia e da qual sempre se posicionou contrário a esta ideia. Sabia separar o que era religioso do que era simplesmente arte e expressão. É normal os jovens se espelharem nos seus ídolos, porém Renato não se considerava exemplo pra ninguém. Foi rebelde e sereno. Crítico e compreensivo. Forte e fraco. Mas, de suas características, algo poderia ser copiado: sua sinceridade. E essa é uma qualidade escassa hoje em dia.
Nas letras e atitudes, Renato foi verdadeiro. Assumiu a dependência química (tranqüilizantes e álcool principalmente) e homossexualismo numa época em que a sociedade (nem as novelas globais) não trabalhavam essa “tolerância” como nos dias atuais. Repudiou publicamente um presidente da república (Fernando Collor) e sua ministra Zélia Cardoso retratando-os em “Metal contra as nuvens”, canção do quinto disco. Perpetuou, infelizmente, por quase uma eternidade a pergunta: “Que país é este?”.
O espaço seria pouco para citar as inúmeras letras e canções que, ao contrário das bandas efêmeras dos dias atuais, não conseguem imprimir uma identidade duradoura em seus ouvintes. Mesmo após 15 anos, eles continuam embalando a juventude que os seguiu desde o primeiro disco em 1985 e, os que ainda nem eram nascidos quando a banda já havia acabado.
Em 11 de Outubro de 1996, Renato morreu aos 36 anos, em seu apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro, vítima da AIDS. Raros são os artistas que, mesmo após todo esse tempo, continuam recebendo continuamente diversas homenagens póstumas. Uma dessas últimas aconteceu no Rock in Rio há pouco mais de duas semanas. Acompanhados da Orquestra Sinfônica Brasileira, diversos músicos brasileiros, juntamente com os ex-componentes da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, confirmaram a força desta obra singular que , neste momento, mais uma vez comoveu o público e aos milhares de expectadores mundo afora quando de maneira apaixonada, cantaram aquilo que não é demais repetir “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.





