9 de maio de 2026

Em Paulo Afonso, o chicote dói no lombo – Por Cecílio Almeida

Por

Por Cecílio Almeida Matos
cecilioalmeidamatos@gmail.com


 


Lendo atentamente as denuncias sobre as operadoras de caixa nos supermercados de Paulo Afonso e indignado, é que nos damos conta da consciência empresarial da maioria da classe de empresários que temos na cidade.


A cidade, que insiste em estar parada no tempo e no espaço, onde as pessoas têm medo até de “peidar”, trata o povo humilde no chicote. Quem gritar, denunciar, botar a boca no trombone é intimidado, corre o risco de ir para o “tronco” tomar 150 “chibatadas”!


As operadoras de caixa tem justamente sofrido no lombo o que é cultura na cidade, a de não respeitar os direitos trabalhistas dos empregados. São pouquíssimas as empresas na cidade que se preocupam em atender as necessidades básicas do trabalhador com os incentivos a vantagens trabalhistas, tais como hora extra, auxilio alimentação, vale transporte, plano de saúde e odontológico e etc.


Para muitos empresários, o empregado não passa de um simples lixo, peça fácil de ser trocada e ainda desafiam: “vá da queixa na justiça”, como se tivessem certeza da impunidade judiciária trabalhista. Pior, criam uma espécie de lista negra, que inviabiliza a contratação por outras empresas daquele que se rebelou ao reclamar seu direitos.


A cultura empresarial local ainda é do tempo do “feitor” com chicote nas mãos, rodopiando no ar, enquanto uma musiqueta de fundo, tema da novela “escrava Isaura”, cujo refrão é inesquecível: “…vida de negro é difícil, é difícil como que…” é tocada e sufoca a luta e reclamação dos direitos mais elementares dos trabalhadores locais.


Meu cunhado, vejam bem, trabalhou numa empresa, cujos donos se dizem religiosos, e somente após 3 meses trabalhando literalmente como escravo, foram assinar a carteira do rapaz, para logo em seguida, após dois meses, demiti-lo, sob a alegação de corte.


Temos ainda o artifício muito utilizado em Paulo Afonso, que é o argumento do roubo, tudo é alegação que o pobre coitado e chicoteado do empregado se vê acuado, roubou… roubou… A justificativa perfeita para silenciar o já humilhado trabalhador e para que ele saia de mãos e bolsos vazios e boquinha fechada (a chamada boca de siri).


Talvez seja por isso que fica cada vez mais difícil encontrar mão de obra disponível na cidade. Não tem e nem existe trabalhador mais burro hoje em dia, a maioria sabe quais são seus direitos e não está disposta a se sujeitar a tanta escravidão.


Os que ficaram é porque se acostumaram e engrossaram o lombo para receberem as chibatadas; fora isso, precisa sustentar suas famílias. Tem que comer calado, humilhado, cabisbaixo!


Paulo Afonso além de ser uma verdadeira ficção, objeto de estudos profundos, é implacável com seus munícipes.



Cecílio é graduado em Analista de RH, pós graduando em Direito Processual civil e mestrando em mediação e arbitragem. (muito embora esses títulos pomposos não subtraiam a capacidade de indignação de um cidadão)

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