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Está no site. A turma de guardas se reuniu e protestou em frente ao prédio da Prefeitura Municipal. Estavam com cara de poucos amigos. A postura dos vinte e três protestantes (contei 23 na foto) fala mundos. A fala parte de mantenedores da ordem e do patrimônio que têm que sustentar a família (prover todas – todas! – as suas necessidades) com pouco mais de mil reais.

A faixa de vante fala em reposição. Está escrito que a reivindicação é a reposição do desgaste da inflação. Se os impostos foram “repostos”, isto é, se seu valor nominal foi reposto, por que não os salários?

A arrecadação está caindo em todos os níveis da administração nacional. Cai a arrecadação e, por força da queda, a capacidade de o gestor repor os prejuízos da inflação. O estômago, porém, não é racional. O mecanismo da fome, a sensação da falta de nutrição, é automático. Ninguém simplesmente decide sentir fome. Os animais devoram-se uns aos outros exatamente por isto. Passe o leitor em frente a um leão com o bucho pleno, cheio da caça que exige a digestão, que passará incólume. Passará para ser devorado por um leão faminto mais adiante.

Então, não deve haver disponibilidade orçamentária para a reposição das perdas salariais dos guardas municipais. Sem absolutamente estar legislando em favor de quem quer que seja, o gestor, por pior que pudesse ser, por mais irresponsável que fosse, se lambuzaria no pote da maldade em se negando a dar um aumento (reposição) de uns poucos mil reais? Ainda não temos outra ponte sobre o canal, uma UTI que salvaria nossas vidas, a orla urbanizada ou uma ciclovia para o Tancredo Neves apenas por maldade de um gestor qualquer?

A maldade deles, políticos e gestores, não reside, no nosso entendimento que procura o foco de tanta lambança na gestão dos recursos nacionais, na recusa da concessão de uma menor reposição. A maldade se consubstancia na recusa – ou na irresponsabilidade – de uma gerência racional de pés no chão dos recursos arrecadados e das potencialidades nacionais.

Esboroaram a economia nos últimos anos. Ignoraram princípios fundamentais que os nossos avós sobejamente nos ensinaram. Montaram uma máquina de ilusões para o povo brasileiro. O resultado é a negação de reposições de todo tipo. A exceção é a reposição das perdas dos valores nominais dos impostos.

Que há corrupção, sabemos. Que só falta ouro para valer ao pobre, também sabemos. Que há extravagância em relação aos recursos públicos, é só olhar em volta. Que prioridades são desprezadas, isto é um fato. Precisamos – é uma urgência não postergável – aprender a votar e a exigir posturas responsáveis dos eleitos. Precisamos, vamos convir, não praticar tudo aquilo que condenamos nos nossos políticos. Ou queremos derrubá-los no intuito apenas de repô-los sem o compromisso de mudar?

Será que toda a lógica desta matéria aponta para a absolvição dos nossos gestores, sejam eles municipais, estaduais ou nacionais? Será que o autor procurou jogar toda a culpa nos leitores? Ou terá ele contribuído para que esses mesmos leitores entendam que a mudança que eles almejam só virá na medida em que eles mudem primeiro?
 

Francisco Nery Júnior

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