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A Globo expõe a novela das oito, o horário nobre da emissora. É uma novela lúgubre que não consigo assistir. É como quando a pessoa quer ler e não consegue se concentrar na escrita do livro, seja por causa do cansaço, por um processo perturbador momentâneo de digestão, seja por problemas paralelos da vida. Nem sempre estamos em situação de um monge recluso em um mosteiro frio, separado, silencioso e inspirador.

A cor escolhida da novela, um marrom soturno que aparece na tela, não convida o espectador a olhar. Espanta! A secura da caatinga, reconheçamos, pode espantar: a seca, a poeira, a aridez, espinhos agressivos. Seria esta a intenção da escolha? O propósito teria sido apresentar um Nordeste tenebroso, espantador, arredio – e inviável?

As personagens: pessoas sujas, suadas, malvestidas, barbudas e grosseiras. Não pode haver desculpas na colocação do enredo na década dos anos sessenta. Os anos 1960 foram outro dia. Muitos vivos nasceram lá atrás. A dúvida – o questionamento – reside na apresentação de tanta grosseria e incompreensão. Seria o caso da apresentação competente de um quadro real que nos faz considerar uma meditação profunda?

Os relacionamentos são raivosos. As figuras parecem se igualar aos bichos da caatinga no que têm de pior: destruição, ódio, rancor, vingança e falta de amor fraterno em último grau. [É] competição extrema em contraposição a cooperação fecunda em uma região onde apenas a cooperação poderia propiciar redenção.

Pode ser o caso de uma percepção exterior provocar uma profunda reflexão interna, da mesma forma que o espelho nos revela as fissuras da face.
 

Francisco Nery Júnior

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