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A laranjeira restou por quinze anos sem produzir. Embora tenha pegado do facão para cortá-la, ficou. Robusteceu-se e, hoje, produz de dar gosto. Este ano, encheu-se de laranjas. Interessante que ela olha para mim parecendo me agradecer por tê-la poupado da degola. Ela me agradece a crença na sua capacidade de se desenvolver, como os humanos se educam, e produzir. Existe coisa melhor que produzir?

Coloquei umas laranjas na sacola e, de motocicleta, tomei o caminho da casa da sogra. Dia do comerciário, as ruas estão vazias. Melhor assim. A beleza da cidade se faz notar. Já de mãos vazias, as duas no guidom como manda a lei, peguei o caminho de volta. Contornei a matriz de Nossa Senhora de Fátima e alcancei o Balneário.

Está bonito e recuperado. A fonte artificial, lá no meio, joga jatos de água no ar, esperança de prazer, estabilidade e de dias melhores. Um cachimbo ladeado de grades leva o visitante para o seio das águas. De lá, pude ver jovens a pescar pitu ou que nome se possa dar aos camarões gigantes que o lago fornece. O lago, pelo que vi, fornece camarões como poderia fornecer mais lazer com equipamentos sociais e uma pista de atletismo ao seu redor.

Segui pelo caminho dos bombeiros. Cara, diria o adolescente abismado dos nossos dias, o recanto dos bombeiros testifica da sua eficiência. Local limpo e urbanizado, árvores plantadas no caminho dos carros da água que protege o cidadão dos incêndios. Feriado embora, eu os vi a trabalhar. Dois carros-tanque saíram bem na hora em que eu passava. Segui, disfarcei para não perturbar – tive a impressão de farejar alguma notícia quente – e fui atrás em marcha lenta. Eles contornaram o primeiro redondel e entraram de volta. Na hora de folga, trabalhavam os seus equipamentos.

Indo adiante, o IFBA. Os meninos estavam em aula. Bombeiros responsáveis e alunos que estudam com professores comprometidos: o caminho certo do desenvolvimento. As árvores do IFBA! Elas mantêm o gosto e a visão do doutor Amaury e de Manoel José. Entre elas, umas trinta que plantei com minhas próprias mãos. “Há que se retirar os latões que envolvem as mudas”, foi o óbice levantado pelo “perito” de plantão. Convenceu o Diretor Geral que me abordou e veementemente instou a retirada. “Professor, há quarenta anos uso esta técnica”, retruquei . Os latões ficaram, forneceram algum insumo, e as árvores podem ser vistas fortes e saudáveis pelos incrédulos, implacáveis e eternos dizedores de não. O lago artificial de Brasília jamais encheria na opinião de um deles. Juscelino, o visionário, acompanhou atentamente – e credulamente – o enchimento. As águas já no meio, despachou um telegrama para o cético ativo: “Encheu, viu?!”

Antes do IFBA, o Belvedere limpo e atraente. As pessoas se igualavam à natureza e prezavam o rio, nessa parte o reservatório inicial das usinas I, II e III. Um carro (viatura) da Polícia Militar zelava adequadamente pela sua segurança.

Já nas margens de outro lago do racional sistema projetado pelo doutor Amaury, ao lado da sede regional da Ordem dos Advogados, a construção do Complexo Policial de Paulo Afonso. Até onde permite o nosso entendimento de logística, local apropriado para os fins da segurança do povo de Paulo Afonso.

Nesse giro obrigatório para evitar a descarga da bateria da minha moto, vi centenas de árvores plantadas pelos cidadãos de, novamente, Paulo Afonso. Eles não ganham para isso. Não têm verbas nem estrutura ad hoc. Como em Paris, plantam e protegem as mudas, em toda a cidade, com garajaus financiados por eles mesmos que já pagaram impostos para isso. Centenas de árvores plantadas por quem disto entende o benefício e o valor – o alcance. Não vi uma árvore sequer plantada pelo poder público!

Agora alcancei o Cetepi. As dezenas de árvores e a tropa de choque canina me saudaram com o gosto da vitória. Elas, adubadas e regadas com dedicação – e luta! -, pareciam afirmar que vale a pena se dedicar de corpo e alma àquilo em que acreditamos. Leitor e cronista passarão. Elas ficarão.

Beirando a canal, já nas bordas do BNH, o sol se punha lentamente por cima da ponte de acesso à ilha. Amanhã renascerá mais brilhante do que nunca.
 

Francisco Nery Júnior

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