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Por Francisco Nery Júnior

Ele penou a noite toda. Amarrado a uma corda de menos de dois metros, no canto da parede fria, penou. Pela manhã, acordei com os seus latidos que me pareceram pedidos de socorro. O cão cruelmente cerceado da sua liberdade dada por Deus pedia ajuda. Olhei pelo muro – tinha que me arriscar – e lhe joguei dois ou três bastonetes caninos. Olhou para mim, me agradeceu, e foi desfrutar, em caráter excepcional, um pouco de prazer.

Aquietou-se. Voltei eu para a cama e não mais o ouvi. Uma hora mais tarde, já de pé, resolvi me arriscar de novo e olhei por cima do muro. O que vi o leitor pode ver na foto ao alto. Ele se acomodou no último e único refúgio que encontrou. Era o espaço total de que dispunha. Aquietou-se, e dormiu.

O que o leitor poderia esperar deste parágrafo? Nada. Nada mais, leitor. A foto fala por si só. O querido amigo de nós todos, pequena criatura de Deus, com capacidades quase infinitamente maiores que as nossas, o faro, por exemplo, acomodou-se à escravidão insana e cruel a que está submetido. Que mais poderia fazer? Nem esperar pela morte, ele pode. Lamentavelmente, ele não sabe que vai morrer.

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