Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

Ecos da Abertura dos Jogos Olímpicos no Rio – shame on us

1.Vergonha para nós. Se o leitor observar, vai verificar que a última parte do título está grafada em itálico. Vergonha nossa. A culpa é nossa. Somos relaxados. Os americanos, quando querem fazer uma autocrítica, assim se referem.

A vergonha não reside na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos. Reside, para nós de Paulo Afonso e da região, no fato de o mundo – naquele momento o Rio era o mundo – ter demonstrado a sua profunda preocupação com a sobrevivência da Natureza e do homem. Cada garoto, à frente de cada delegação, levava uma muda de árvore nativa do Brasil. Vocês viram o orgulho e o garbo com que conduziam? Novamente, shame on us. Cada atleta recebeu e plantou uma semente em pequenos recipientes que eclodiram, simbolicamente, em uma floresta no meio do Maracanã, símbolo do bom senso momentâneo e prova de que é possível, à humanidade, o entendimento. Vergonha para nós que vemos a caatinga ser dizimada em golpes de insensatez. Vergonha para os prefeitos da nossa região que desprezam sistematicamente a pregação da importância de plantar árvores. Nos jogam na cara, nós irreverentes e insistentes plantadores de árvores, em escárnio quase insuportável, o seu desprezo irresponsável. Semeadores do futuro – da sobrevivência da humanidade – sofrem a indiferença justamente de quem deveria ser proa do movimento de conservação. Plantadores de árvores em Paulo Afonso e região (professor renitente, motoristas de veículos de frete e poucos cidadãos conscientes) são tratados como algo menor e não merecedores de consideração. Estamos, porém, vingados . O mundo é diferente! O mundo pensa! O mundo quer sobreviver. O mundo é racional, reconhecido, prudente, ativo, educado. Não é mal-agradecido. Não despreza os que querem, com a aplicação dos seus próprios recursos, arborizar a cidade e a região, assim pregando o óbvio e a salvação. Daqui a dois anos, surgirá a Floresta dos Atletas em Deodoro no Rio de Janeiro. A inspiração veio da Floresta da Tijuca, floresta plantada a mando do imperador Dom Pedro II, luz do Brasil durante 49 anos, este também escorraçado sem piedade do Brasil em 1889.

2.Metade da população do mundo estava no Maracanã por obra e graça dos meios de comunicação. Metade dos homens, criação maravilhosa de Deus, estava ali reunida. Alegres estavam. Vibraram as pessoas, alegres por se reconhecerem, sem distinção, cidadãos do mundo, humanidade una sem discriminação. Apenas ouvi um atleta aposentado, do interior da África, onde faz um belo trabalho para simplesmente prover abrigo, comida e educação – tudo – para crianças desvalidas; apenas ouvi esse ex-atleta falar em Deus. Ah, leitor, ainda bem que os que nos desprezam desprezaram primeiramente a Deus.

3. E um governo centralizador mundial? Uma só administração, respeitando as diferenças culturais, para gerir os recursos do mundo em benefício de toda a humanidade? Onde o conceito de Estados Unidos do Mundo? Onde o entendimento – ontem provado possível no Maracanã – em benefício de todos os povos? O Secretário Geral das Nações Unidas sorria a lábios largos. Sorria talvez na ingênua esperança de contaminar os poderosos presentes. Quem sabe se um dia, antes do ajuste final dos tempos, haverá um pouco mais de equidade entre os povos e as pessoas?

 

Vamos sonhando, leitor e cronista, inveterados otimistas, enquanto o Brasil se beneficia dessa pausa histórica, ele atolado em crise profunda pela irresponsabilidade da maioria dos seus dirigentes.

Francisco Nery Júnior

Compartilhar

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print

VEJA MAIS

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.