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 “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.” — George Orwell

Segundo John Stossel e a lógica, “quando se ofender dá poder, as pessoas se ofendem mais facilmente”. A frase nos ajuda a entender por que, nos últimos anos, vem sendo divulgada a ideia surreal de que uma pessoa que simplesmente discorda da visão de um determinado grupo é uma pessoa carregada de ódio. É proibido não gostar de algo sob pena de ser rotulado como intolerante e todos os adjetivos similares imagináveis.

Conforme esse “raciocínio”, o indivíduo que ousa cometer o pecado de simplesmente ir contra o politicamente correto e falar que não gostou de determinada conduta ou ação, por mais abjeta que esta possa ser, passa a ser visto quase como um fascista, alguém que é preconceituoso e, portanto, acaba merecendo ódio em troca por não se curvar aos conceitos da intelligentsia.

Assustada com as objeções que passaram a questionar seu discurso, e sabendo que se entrasse em uma discussão racional ela perderia, a autoproclamada elite intelectual que se esconde atrás de diplomas vazios de significado e nega o senso comum e a realidade, hoje trabalha para neutralizar dissidentes. Assim, a opinião da maioria dos cidadãos comuns divergente de uma minoria barulhenta, porém organizada, passa a ser tachada de “discurso de ódio”.

No jornalismo old school, antes do advento da geração dos ofendidos, alguns indivíduos notáveis como Alborguetti e Luiz Carlos Prates nos deixaram lições de como se sobrepor a praga do politicamente correto. Na nova geração do jornalismo, porém, com excessão de Paulo Martins e alguns outros poucos, só se vê um bando autômatos covardes, todos com medo de incomodar, com medo de emitir opinião, apenas seguindo a manada e o discurso que lhes foi passado.

Hoje, se um jornalista ou um cidadão qualquer fala algo que foge aos padrões do establishment, aquelas mesmas pessoas que adoram falar em diversidade e pluralidade ficam instantâneamente chocadas. Imaginem só, se entre esse mar de adultos mimados, ainda vivessem jornalistas como Nelson Rodrigues e Paulo Francis. Certamente haveria uma histeria coletiva.

Um fato curioso, nesse paraíso chamado Brasil (talvez Mongólia fosse mais apropriado), é que independente do lugar que nos encontremos, sempre surge um ativista da imbecilidade afirmando que tudo é relativo e questão de gosto, se dizendo “vítima de discurso de ódio” à primeira crítica que ouve. Os hipersensíveis odeiam a verdade de que algumas coisas funcionam melhor que outras e que existe uma hierarquia de valores a qual transcende a vontade humana que sempre existirá em todas as sociedades e em todas as situações.

Ao contrário do que se costuma pensar, o politicamente correto e uma sociedade livre são inconciliáveis, pelo fato do primeiro ser extremamente autoritário e não aceitar que as pessoas falem ou até mesmo que pensem por si só sobre qualquer assunto. Uma prova desse fenômeno é que não se pode mais dizer coisas que são óbvias em qualquer outro país do mundo exceto o nosso, sem haver um estardalhaço. Experimente dizer, por exemplo, que o Estatuto do Desarmamento diminuiu a capacidade de defesa do cidadão, que existem opções melhores do que a instituição de cotas para integrar os alunos menos favorecidos no sistema educacional ou que discorda do método atual de implementação do bolsa família.

Como resposta, inevitavelmente, alguém dirá que você está fazendo discurso de ódio, além de ser acusado de ser racista, elitista, coxinha, fascista e tutti quanti. Simplesmente não há discussão. Acusa-se o outro e ponto final. Case closed. O policiamento chega a tal nível que questionar uma política pública mal feita é, para alguns, sinônimo de não ter consciência social e odiar os desfavorecidos.

Só existem duas hipóteses para explicar o pensamento desses sujeitos: ou são ignorantes ou não passam de autoritários querendo criminalizar e banir qualquer oposição a eles. Faz-se necessário, portanto, desmascarar aqueles que querem censurar o livre pensamento por meio da falsa imputação de ódio a quem não comunga dos seus ideais. Temos que valorizar a liberdade de expressão, perder o medo de pensar além dos portões e escapar da gaiola mental. É hora de tomarmos consciência do que nós próprios defendemos e criticamos, e parar de basear todas as discussões em grupinhos de ocasião criados ad hoc para favorecer determinados interesses. Que tenhamos coragem para explanar nossas próprias opiniões sem medo da patrulha.

Censura nunca mais.

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