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Nunca houve, na história de Paulo Afonso, um cenário tão desolador do Poder Legislativo. É preciso neste momento torcer muito para que não tenha um paciente no Hospital Nair Alves de Souza a espera de remoção. Segundo informou o vereador Antônio Alexandre (PR), essa pessoa pode morrer, porque o contrato que a prefeitura tem com a empresa Bluelife (Que faz a remoção de pacientes em estado grave a centros especializados) diz uma coisa e na prática faz outra.

Não significa que o conteúdo das denúncias seja explicitamente verdadeiro, há, contudo, uma evidência inequívoca, de que algo não anda dentro dos conformes. Segundo mostrou Luiz Aureliano (PT), através do trabalho da secretaria da Câmara, há pedidos de informações feitas ao prefeito, há um ano. E nada, nem uma vírgula chegou à Câmara.

Como inexiste um argumento plausível capaz de convencer uma criança, o Poder Legislativo na figura dos 13 vereadores calou os dissidentes, apelando, segundo o líder do governo, Marconi Daniel (PV), à democracia.

Sim, o vereador fez a referência que 13 valem mais que 2, em outras palavras, falam em nome do povo, o mesmo povo que sofre à porta do hospital, a falta de remédios e, de um modo mais amplo, de oportunidades.

Vereadores Edson Oliveira e ‘Bero do Jardim Aeroporto’ (sentados) e Marconi Daniel (em pé)

O escárnio e a afronta à inteligência alheia

Havia para todo bem e todo mal um acordo entre os vereadores de Paulo Afonso selado na presença da imprensa: a partir destas reuniões finais, em todas, haveria o Grande Expediente, independente do que ocorresse durante a sessão, pois, já em fase de finalização, é preciso falar ao povo.

Na manhã desta segunda-feira (30), tudo foi jogado às favas, a palavra dada, por isso mesmo, é uma fruta podre, que não serve para nada. Os vereadores não tiveram a desfaçatez de passar por cima do acordo, e ainda se arranjaram na “democracia”.

Ao ponto: O que acontece é que apesar de tudo, os dissidentes conseguem ser mais eficientes que a tropa de choque organizada pela prefeitura, e suas respectivas falas abalam as estruturas do poder central. Se não vem uma explicação contundente que cale a boca de Antônio Alexandre e Luiz Aurelino, cala-se então fazendo da Câmara um circo.

Por que circo?, alguém pode indagar: tem marmelada? Tem sim senhor! Tudo vai dar em pizza? Vai sim senhor!

Como se pode classificar o que vem acima?

A reação dos dissidentes

Com a fita crepe na boca, sem poder dizer nada, os dissidentes “caparam o gato”, como se diz, e se retiraram da sessão, sob protesto.

Antônio Alexandre e Luiz Aureliano abandonam sessão após suspensão do Grande Expediente

“Em protesto quero dizer ao povo de Paulo Afonso e a vocês aqui presentes que em protesto pela ditadura da Casa, a minoria não tem direito, apenas dois vereadores da oposição que querem falar e discutir tiveram o direito legítimo cerceado”, disse Luiz Aureliano antes de se retirar, deixando claro que democracia não existe para que todos digam sim, mas para garantir que um possa dizer não, por isso, entre outras coisas, abraça a divergência.

Edson Oliveira (PP) rebate os dissidentes – agora, antes de seguirmos,…em nome de quem mesmo?

Vereadores Pedro Macário, Edson Oliveira e Bero do Jardim Aeroporto

Não bastasse achar normal ver os colegas da minoria, vamos colocar assim, apeados da fala, Edson Oliveira que representa a oposição, acusou o vereador Luiz Aureliano de “frouxo”, o adjetivo faz sucesso entre os políticos de Paulo Afonso:

“Frouxo, saiu para não ouvir o que tinha que ser dito contra ele, nós vamos esclarecer aqui o que realmente determina o regimento desta casa, eu quero que ele fique para saber que o requerimento 1.073 é uma denuncia contra ele”, disse referindo-se a uma matéria veiculada no site Ozildo Alves.

Já não encontro adjetivações para tentar qualificar o Legislativo, de incompetente a despreparado, tudo já foi dito, com honrosas exceções – se curva aos interesses dos grupos que controlam o poder municipal. Em última análise, a Câmara não consegue sequer justificar a própria existência.

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