Câmara mobiliza população para abraço ao HNAS nesta segunda

A Chesf recebeu ofício da Sesab propondo o repasse do HNAS para o Estado. A proposta foi aprovada pela Diretoria da Chesf…

Por | 26 de julho de 2009 às 22:17

A Câmara Municipal de Paulo Afonso promove(u) dia 27 de julho, véspera do aniversário do município, um abraço simbólico ao Hospital Nair Alves de Souza. O fato representa a posição do Legislativo Municipal contra o processo de estadualização daquele hospital, criado e mantido pela Chesf desde o início das obras de construção de sua primeira usina, em 1948.


 


O assunto tem sido levado à tribuna da Câmara em várias sessões deste ano. Em uma delas, o vereador Osildo Alves (PTN) questionou “porque o Governo do Estado tem tanto interesse de estadualizar o HNAS quando, há pouco tempo, na gestão do prefeito Raimundo Caires, o HMPA, que era gerido pelo Estado da Bahia, foi municipalizado?” O vereador acrescentou que “sabe-se que hospitais mantidos pelo Estado da Bahia, como o de Itabuna, têm sido a pior referência no que se refere à saúde pública no Estado”.


 


O vereador Antônio Alexandre, presidente da Câmara, é ainda mais contundente em sua defesa da continuação da manutenção do HNAS pela Chesf. “O lucro líquido da Chesf nos últimos anos tem sido superior a 800 milhões e ultrapassado 1 bilhão de reais em 2008. A Chesf alega que tem investido 25 milhões por ano para manter o Nair. Ora, o que esse valor representa se considerarmos o grande interesse que a hidrelétrica e o governo federal, a quem ela pertence tem alardeado de promover uma política voltada para o social?”


 


E acrescenta o vereador, “além do mais, é importante que toda a comunidade da região saiba que as usinas hidrelétricas do Complexo de Paulo Afonso são responsáveis pela geração de mais de 85% de toda a energia produzida pela Chesf e, consequentemente, Paulo Afonso e região são responsáveis por mais de 85% de toda a sua receita”. O movimento contra a estadualização do HNAS, ao contrário de outros como o contra a privatização da Chesf, a manutenção do exército em Paulo Afonso e a criação do 20º Batalhão de Polícia Militar, dentre outros, não conta com a unanimidade dos vereadores da atual legislatura. Os vereadores da bancada de oposição fecharam questão contra a iniciativa do vereador Antônio Alexandre, de promover esse abraço simbólico ao HNAS e, por conseqüência, a outras ações contra a estadualização do HNAS.


 


Em entrevista concedida ao radialista Bob Charles, na Rádio Betel, na manhã do dia 24 de julho, o vereador Celso Brito disse que “estivemos reunidos com Maninho (Gilberto Pedrosa, Administrador da Chesf em Paulo Afonso, candidato a Prefeito de Paulo Afonso, pelo PT, nas últimas eleições), Marileide Brasil (Assessora da APA) e Nancy (Diretora do HNAS) e ali nos foi informado que a Chesf investe 25 milhões de reais por ano naquele Hospital. Foi dito também que, uma vez estadualizado, a Chesf não estaria fora do processo e que esse investimento seria mantido por 10 anos, com uma redução anual de 10%”.


 


Celso disse ainda que “a bancada de oposição não aceita esse movimento como uma proposta da Câmara mas do seu presidente, portanto uma manobra política”.


 


Na atual legislatura, dos 11 vereadores, a bancada da situação possui 6, inclusive o presidente da Câmara e a oposição, 5 vereadores. Entre todos eles, dois são funcionários do HNAS, Marquinhos do Hospital, na bancada da situação e Aroldo do Hospital, na bancada da oposição.


 


O líder da oposição, Celso Brito, era o Secretário de Saúde do Município de Paulo Afonso quando o Hospital do BTN foi municipalizado e passou a se chamar Hospital Municipal de Paulo Afonso. Para a Chesf, a justificativa da transferência do HNAS se deve ao fato da hidrelétrica cumprir o Decreto Lei nº 2527/98, de 23 de março de 1998, que a obriga a transferir todos os serviços públicos não vinculados ao objeto social da Empresa, conforme informou o Diretor Administrativo em exercício, Mozart Bandeira.


 


A Chesf recebeu ofício da Secretaria de Saúde da Bahia – SESAB, propondo a transferência do HNAS para o Estado. A proposta foi aprovada pela Diretoria da Chesf e foi criada uma Comissão Mista com a participação da Chesf e da SESAB, cujos técnicos já visitaram as instalações deste Hospital. “O Hospital, que tem o perfil de urgência e emergência, atende nas modalidades clinica geral, obstetrícia, ortopedia e cirurgia geral.


 


O Pronto Socorro do Hospital (adulto e infantil) atende atualmente 300 pacientes por dia, em média, vindos de mais de 20 municípios da região”, diz Nancy Costa, ressaltando que “a Chesf vem mantendo os investimentos necessários ao HNAS, tanto na contratação de recursos humanos quanto na infraestrutura, a exemplo das clínicas que passaram por reformas recentes para assegurar a qualidade do atendimento, dando dignidade às pessoas internadas”.


 


Informado sobre a exigência desse Decreto 2527, de março de 1998, o vereador Antônio Alexandre questionou: “Porque um Decreto de mais de 11 anos atrás só agora precisa ser cumprido? Não é muito estranho que se faça essa pressão toda para a estadualização do HNAS justamente quando se aproxima mais um ano eleitoral com eleições para governador do Estado, do presidente da República, ambos do partido que administra a Chesf?


 


Além do mais, que segurança temos que vai mesmo melhorar a saúde, ser construída a UTI, tantas vezes prometida pelo governador Wagner? A população não pode ser enganada mais uma vez e espero que os moradores de Paulo Afonso, estejam ali, dia 27 de julho, às 9 horas da manhã, abraçando simbolicamente o nosso HNAS”, concluiu o vereador.


 

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