Queriam vender a água do chafariz – Especial 51 anos, 4ª parte

Abel Barbosa pediu um tamborete que foram buscar na casa do meu pai que morava mais perto do chafariz, subiu no tamborete, arrancou a faixa e disse pra todo mundo encher as latas d’água, dizendo “Paulo Afonso não vai vender a água que a Chesf deu para o povo”.

Por | 24 de julho de 2009 às 15:28

28 de julho – Aniversário de Paulo Afonso


 


Esta história dos primeiros anos de Paulo Afonso, quem conta é D. Risalva Toledo, contemporânea dos tempos da luta pela emancipação política do município, ao lado de Abel Barbosa. D. Risalva foi vice-prefeita e vereadora de Paulo Afonso.

Queriam vender a água do chafariz

No tempo em que Abel (Barbosa) era vereador em Glória, pelo Distrito de Paulo Afonso, a Chesf construiu três chafarizes na Vila Poty para atender aos trabalhadores da construção da usina que viviam arranchados na Vila, pois não havia água encanada fora do acampamento da Chesf.

Um desses chafarizes foi construído no lugar que ficou conhecido como a Praça de Metódio, pois ele, quando foi prefeito por 17 dias construiu ali uma praça que se chama hoje Praça Bráulio Gomes.

Pois bem, Otaviano Leandro de Morais, que também era vereador em Glória, chegou a botar um projeto na Câmara pra vender a água do chafariz, água pra beber, pra tomar banho, tinha que pagar. Então, quando passou a primeira votação lá em Glória, o povo se alvoroçou e correram atrás de Abel, que era conhecido como Chefe Abel, porque tinha um grupo de escoteiros, e diziam:

– Mas Chefe Abel, como é que a gente vai comprar água pra tomar banho? Agora todo mundo vai apodrecer porque ninguém tem dinheiro pra comprar água nem pra beber, imagine pra tomar banho. Quando a votação foi aprovada na Câmara de Glória o povo invadiu a casa de Abel pedindo apoio.

Abel foi com o povo para o chafariz e já tinha muita gente lá. O pessoal já tinha colocado uma faixa lá com o preço da água. Abel pediu um tamborete que foram buscar na casa do meu pai que morava mais perto do chafariz, subiu no tamborete, arrancou a faixa e disse pra todo mundo encher as latas d’água, dizendo “Paulo Afonso não vai vender a água que a Chesf deu para o povo”.

Isso foi considerado um desaforo e foram chamar a polícia. Não demorou muito chegou o Sargento Abdias Pionório, que era o comandante da polícia, uma pessoa muito séria, muito direita, muito humana, acompanhado de dois soldados, Chiquinho, da Casa Matos e Diniz, este já falecido. E ficaram, bem na minha frente, olhando Abel com o pano, a faixa na mão e o povo apanhando a água.

Aí um dos soldados perguntou ao Sargento Abdias se não iam resolver a situação. E ele disse: “vamos voltar que eu não estou vendo nada demais. O povo quer é beber água e a água foi a Chesf que deu”. E retornou sob os aplausos do povo.

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